Peço licença para fazer umas observações pessoais (13º domingo do Tempo Comum, ano “C”).

Achei impressionante o contraste entre a primeira leitura de hoje e o Evangelho! Quando Elias chama Eliseu para segui-lo, trata-se de um chamado a ser um profeta de Deus, feito por um profeta de Deus grandioso como Elias! No entanto, Eliseu pede para ir se despedir da família, e Elias autoriza, dizendo “Vai e volta. Pois o que te fiz eu?” (1Rs 19, 20)
Mas quando Jesus, no evangelho de hoje, chama alguém para segui-lo, e este alguém pede para ir despedir-se da sua família, ele dá uma resposta muito diferente daquela de Elias. Aqui, ele não autoriza esta despedida, e diz: “quem põe a mão no arado e olha para trás não está apto ao reino de Deus”. (Lc 9, 62)
Jesus é Deus. Elias não é. É por isto que Jesus pode fazer um chamado que supera os laços familiares e demanda uma resposta incondicional. E quem não está pronto a esta resposta não está apto ao Reino de Deus: quem não está pronto para viver, por exemplo, a indissolubilidade do chamado ao matrimônio, a sua fidelidade, quem não está pronto a viver o sacerdócio ordenado sem apegos desordenados aos seus parentes, quem não está pronto a preferir o martírio à apostasia não está pronto para o Reino de Deus. E só a graça pode nos dar esta prontidão perante o chamado de Deus: humanamente, nenhum de nós é capaz. Mas a oração nos capacita, porque, a exemplo de Maria, ela nos lança nessa “onipotência suplicante” que só quem vive, como ela, na “graça plena” (Lc 1, 28) é capaz de ter: eis aqui a serva do Senhor! (Lc 1, 38). Maria pôs a mão no arado e não olhou para trás!