Vimos, ao longo destes textos que comentam as primeiras quatro questões desta primeira seção da segunda parte da Suma Teológica, o problema da felicidade humana como primeiro estímulo de qualquer movimento humano. De fato, ninguém se mexe, ninguém se move, se não tiver uma razão última, um objetivo final para atingir. Por exemplo, o objetivo final do estudante não é ir à aula todos os dias, mas obter, ao final do curso, a graduação. Se não houvesse esse objetivo final ele não teria motivo para se sujeitar à presença nas aulas, à realização das tarefas, às leituras intermináveis e à redação de textos. De fato, como diziam os antigos, o objetivo final é a explicação fundamental, ou seja, o fim último é a primeira causa. E, no caso do ser humano, o fim último é ser feliz. Foi o que vimos na questão 01.
A questão 02 debateu em que consistiria esse fim último, esse objetivo final que nos move em primeiro lugar. Tomás faz uma espécie de “teste” com aquilo que os seres humanos normalmente acreditam, ou imaginam, que é o objetivo final de sua própria vida: riquezas, poder, fama, prazeres físicos, beleza corporal e, enfim, a completude das virtudes espirituais. Este último candidato parece ser o mais promissor, o mais capaz de nos proporcionar a plenitude satisfatória que dirige – ou deve dirigir – a nossa vida. E essas virtudes, vemos na questão 03, não podem simplesmente nos conduzir a um ativismo, ou a bens criados, ou mesmo a algum conhecimento elevado, mas a uma relação de presença com Aquele que é o bem completo, que é próprio Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Somente a amizade com Deus, que nos leva à sua presença amorosa, pode nos satisfazer.
Finalmente, na questão 04, vimos quais os requisitos, ou pressupostos fundamentais externos, que nos condicionam ou habilitam a atingir essa felicidade. E vimos que tudo, nela, que não for o próprio Deus e a nossa relação de amor com ele pode ter valor, mas não condiciona a própria felicidade, de tal modo que Deus nos basta.
Nesta questão 05 estudaremos se esta felicidade sonhada, prometida e buscada, consciente ou inconscientemente por nós, é algo real, alcançável, se ela está a nosso alcance, se somos capazes dela. Ainda, é claro, que essa “capacidade” seja apenas a de recebê-la como um dom, e não a de encontrá-la por nossas forças.
Mas estamos nos adiantando. Vamos estudar os artigos desta questão. O primeiro discutirá, previamente, se a felicidade plena e completa é algo com que os seres humanos podem sonhar como um objetivo real, ou se ela é algo próprio apenas dos seres espirituais a que chamamos anjos e que estão muito mais perto de Deus do que nós. Vamos aos debates.
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