1. Introdução.

A mágica, a magia, a feitiçaria, o curandeirismo, o charlatanismo, as curas maravilhosas e as exibições de poder estão em moda hoje em dia, talvez ainda mais do que no tempo de Tomás. Mesmo ambientes que se apresentam como “cristãos” estão repletos de promessas de milagres e prodígios, para estupor dos curiosos e dos prosélitos. Mas será que esses prodígios e milagres vêm mesmo de Deus? Será que são simples truques e hipnose? Será que o Diabo pode fazer milagres, como curas, prosperidade, sucesso, vitórias e fama? Será que os seres humanos são seduzidos por fatos miraculosos produzidos por demônios, desviando-se do caminho da salvação? 

Este é o debate que agora se apresenta. Vamos a ele.

  1. A hipótese controvertida.

A hipótese que é proposta, agora, para nos provocar ao debate, é a de que os demônios não são capazes de realizar prodígios e maravilhas, ou seja, que eles não são capazes de realizar milagres para seduzir os seres humanos à perdição – e que, portanto, toda vez que nos depararmos com fatos e realizações prodigiosas, miraculosas, devemos crer que elas vem de Deus mesmo. Há três argumentos objetores iniciais que tentam comprovar esta hipótese.

  1. Os argumentos objetores iniciais.

O primeiro argumento objetor.

O primeiro argumento objetor nos lembra que os demônios têm uma relação estreita com o assim chamado “Anticristo” (ver  1 João 2:18, 2 João 1:7,  1 João 2:22 e 1 João 4:2–3). Ora como descrito em  II Tessalonicenses 2, 9, a vinda desse homem iníquo será acompanhada, graças ao poder de Satanás, por toda sorte de portentos, sinais e prodígios enganadores. Portanto, há fundamento bíblico para defender que os truques e farsas dos demônios não passam de mentiras baratas, conclui o argumento.  

O segundo argumento objetor.

O segundo argumento lembra que, segundo o que se sabe, os milagres ocorrem quando alguma coisa de natureza material deixa de ser o que é e passa a ser algo diferente. Ora, nós sabemos que os demônios têm poder sobre  matéria, mas seu poder não chega ao ponto de conseguir gerar coisas novas, mesmo a partir de outras coisas. De fato, é o próprio Santo Agostinho que nos lembra esse limite do poder demoníaco, quando nos ensina, em sua obra Cidade de Deus, que não acredita que o corpo humano pudesse ser convertido em corpo animal, por artimanha ou poder dos demônios. Assim, os demônios podem fazer alguns truques baratos, mas não podem realizar milagres efetivos, conclui o argumento, apressadamente. 

O terceiro argumento objetor.

Aqueles sinais ou argumentos que podem demonstrar coisas opostas são ineficazes, diz o argumento. Assim, se Deus fizesse milagres para comprovar a divindade de Jesus, por um lado, mas o Diabo tivesse o poder paralelo de fazer milagres verdadeiros para desencaminhar os seres humanos da salvação, os milagres de Deus já não poderiam ser eficazes para comprovar a fé verdadeira. Logo, conclui o argumento, seria inadmissível imaginar que os demônios pudessem realizar milagres e maravilhas reais que não passassem de truques falsos e baratos, conclui o argumento. 

  1. O argumento sed contra.

Sabemos que, depois de trazer a hipótese polêmica inicial e os argumentos que tentam comprová-la, o artigo sempre traz um argumento contrário a ela, retirado de alguma fonte muito respeitável, tal como as Escrituras ou algum Padre ou Doutor da Igreja, ou mesmo algum santo ou Papa.

No presente caso, o argumento contrário se vale da autoridade de Santo Agostinho, que, numa obra atribuída a ele, diz que pelas artes da magia são realizados milagres muito semelhantes aos milagres divinos. Assim, diz este argumento, os demônios podem, de fato, realizar proezas miraculosas para enganar e fazer perder os seres humanos.

  1. Encerrando.

Não há dúvida de que o Diabo tem poderes para alterar o rumo das coisas na Terra, de modo a conceder vantagens ilusórias ou reais aos que ele persuade e engana, para perdê-los. Serão estes feitos demoníacos verdadeiros milagres?

É o que veremos no próximo texto.