1. Retomando.

Dizíamos, no texto anterior, que o debate, aqui, seria a respeito da universalidade da existência de anjos da guarda, isto é, se todos e cada um dos seres humanos teriam anjos da guarda designados para a sua proteção e custódia pessoal. A hipótese inicial é a de que nem todos os seres humanos teriam anjos da guarda individualmente designados para si, quer porque não precisariam deles, diante de sua condição divina ou imaculada (seria o caso de Jesus e Maria, mas também de Adão e Eva antes da queda), ou, por outro lado, porque são pessoas más, pessoas que não se encaminham à salvação, que rejeitam fortemente a fé, que escolhem o caminho da perdição de modo voluntário, e por isso não parecem guardados individualmente por um ser espiritual poderoso e responsável por ela. Mas vimos que São Jerônimo, com toda a sua autoridade em matéria de anjos e de interpretação bíblica, nos assegura de que todos e qualquer um dos seres humanos têm anjos da guarda individualmente encarregados de sua proteção.

Veremos, agora, a resposta sintetizadora  de Tomás sobre este assunto.

  1. A resposta sintetizadora de Tomás. 

Somos soldados cegos na guerra espiritual que é o caminho para a salvação. Esta é, de regra, a vida humana como peregrinos nesta terra. É um caminho perigoso, arriscado, e este perigo pode se manifestar na forma de ameaças tangíveis, visíveis, que estão ao nosso redor, como ocasiões para pecar. Mas também pode se manifestar como ameaças interiores, espirituais, que ocorrem no âmbito mesmo de nosso pensamento, de nosso coração, de nossa consciência, de nossa vida interior. De fato, as Escrituras ensinam que há ciladas colocadas no caminho dos que peregrinam nesta Terra (salmo 141(142), 4). 

Ora, se nós, seres humanos, costumamos designar guardas para proteger aqueles que andam em caminhos perigosos, e se todos nós somos, de certo modo, caminhantes em caminhos perigosos, repletos de ameaças que muitas vezes não podem ser adequadamente percebidas por nós, faz muito sentido que Deus tenha enviado um anjo da guarda para cada um dos seres humanos que peregrina na Terra.  E assim Deus fez. Deste modo, todo e cada ser humano tem um anjo da guarda encarregado de protegê-lo por toda a vida.

E o que acontece com o nosso anjo da guarda depois que morremos, ou seja, quando já não somos caminhantes nesta terra e chegamos ao nosso destino final, quer na salvação, quer na condenação? 

O nosso anjo da guarda é nosso amigo eterno, e permanecerá conosco pela eternidade. Mas quando chegarmos ao nosso destino final, ele já não será um anjo da guarda, mas um companheiro permanente que nos acompanhará no Reino dos céus – reinará conosco para sempre na glória.

Quanto aos que se perdem, já não terão anjo da guarda, mas algum demônio punidor, assevera duramente Tomás.

  1. Encerrando.

Bela relação de amizade que temos com nosso anjo: hoje, ele é um anjo da guarda. No futuro, na glória, será um companheiro de Reino dos Céus. No inferno, no entanto, não nos acompanhará – ali teremos um “demônio da guarda”, um carcereiro cruel que nos pune eternamente. É duro, mas serve como aviso para que não procuremos a perdição e nos deixemos guiar pelo nosso santo amigo espiritual.

Mas e quanto a Jesus e aos que não foram criados no pecado? e quanto aos réprobos que ainda caminham nesta Terra? 

Estas respostas estarão no próximo texto.