Este é um belo debate: será que Amor é o nome do Espírito Santo? Debate importantíssimo, porque, se Deus é amor (1 Jo 4, 8), seria difícil de entender que o Amor fosse apenas uma das Pessoas, e não houvesse amor no Pai ou no Filho. Por isto, por causa desta revelação escritural de que a essência de Deus é o Amor, a hipótese controvertida aqui é a de que Amor não pode ser o nome próprio de uma das Pessoas, especificamente o Espírito Santo.
São quatro os argumentos objetores iniciais, no sentido da hipótese controvertida inicial.
O primeiro argumento objetor cita Santo Agostinho, que se refere à Trindade, dizendo que, uma vez que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são chamados de sábios porque compartilham a mesma sabedoria, não entende por que não são chamados de “amor”, se também se constituem, em comum, na mesma caridade. Ora, prossegue o argumento, tudo aquilo que Deus tem em comum não pode ser atribuído a uma das Pessoas da Trindade como nome próprio; assim, conclui o argumento, não é adequado afirmar que Amor é nome próprio do Espírito Santo.
O segundo argumento objetor vai lembrar que o Espírito Santo é uma Pessoa Trinitária subsistente. Mas a palavra amor não designa uma Pessoa Trinitária, mas uma ação que transita daquele que ama para aquilo que é amado. Logo, amor não pode ser um nome próprio do Espírito Santo.
O terceiro argumento define o amor como o vínculo entre aqueles que se amam. Ou, segundo o (pseudo) Dionísio, o amor é uma força unitiva. Mas o vínculo, diz o argumento, é o meio entre aquilo que o amor une, e não alguma coisa que procede dos que se amam. Mas, uma vez que já está claro que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como vimos nos debates da questão passada, então ele não pode ser o vínculo que os une, e por isto não pode ser propriamente chamado de “amor”.
Por fim, o quarto argumento afirma que todo aquele que ama tem em si algum amor. O Espírito Santo ama, diz o argumento. Se o nome próprio do Espírito Santo for Amor, então teríamos que admitir nele o Amor do Amor, ou, se Amor é sinônimo de Espírito, haveria nele o Espírito do Espírito, o que seria absurdo. Então não poderíamos dizer que o nome próprio do Espírito Santo é Amor.
Como argumento sed contra, uma citação de São Gregório, que diz que o Espírito Santo é o próprio Amor.
Postos assim os termos do debate, passamos a estudar a resposta sintetizadora de São Tomás. Que veremos no próximo texto.
Deixe um comentário